sábado, 3 de setembro de 2011

Zefa Cusca

Nascida numa caixa da alota com restos de peixe-espada preto e criada entre o largo do canino e o monte dos vendavais, sou uma pexita da velha guarda.

Faz-me espéce aquilo que a vila se tornou e irei lutar na linha frente das melícias se alguma vez formos dominados por outra cultura.

Aficcionada pelo Senhor Jesus das Chagas, todos os anos ponho à janela uma colcha durante a procissão para receber o Senhor com todo o carinho que por ele prezo.

Passo a maior parte do meu dia saltando entre o Zé António e a Praça, dando sempre umas escapadinhas ao Jardim para saber as novidades do dia e ao Caseiro para tomar o pequeno almoço e lanchar. Os folhades são pouco belos, sabes!

Casada com um ex-pescador que teve que ir trabalhar p’ás obras do campo que os quinhões já não são o que eram, culpa dos gajos da união europeia, diz o meu mais velho!

Comunista por afinidade, luto pela justiça na vila. Só não vou ao Avante porque não é cá em baixo, senão ias a ver! Tava la batidinha que nem um percebe agarrado à rocha!

Z’imbora Sesimbra!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Dona Elvira Machucha

Parámos em frente a uma parede maior que a da Fortaleza, onde todos falam e murmuram, mas ninguém olha p’ra si. Velhos do Restelo já estão fora de moda e o que está a dar é falar naquelas coisas das Internetes.

Como boa calhandra que sou, meto o nariz onde não sou chamada, tenho ouvidos de tísica e vou à janela mal oiço um escabeche na rua.

Ando armada em balhona mas isto não dá p’ra grandes luxos. Afinal, ainda vivo das benditas reformas da pesca. Sou uma aficionada em lojas dos 300, que de 300 têm muito pouco. Cada vez vale mais a pena apanhar a carreira do covas que pára lá em cima no Modelo.

Atenta a tudo o que rodeia, a mim e à minha terra, não tenho muita paciência para os malandros da Quinta do Conde que apregoam morar em Sesimbra, pois lá, a pedra da calçada que saíu do lugar no Domingo passado já está no sítio outra vez.

Vou-me queixar de tudo e de nada, com a minha carteira debaixo do braço e as chaves de casa na mão. Os meus miúdos estão na escola profissional em Setúbal e o marido está na doca à zagaia, eu tenho o comer p’ra fazer.

Quem não gosta, a porta é serventia da casa!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Mestre de Sesimbra

Atão pá!!!

A união faz a força. Esse será sempre o maior problema da bela terra à beira mar plantada. Se por um lado isto faz todo o sentido quando se implementa a tão famosa "porrada", quando falamos de movimentos culturais, políticos e acima de tudo temáticas relevantes para o desenvolvimento da velhinha Cezimbra; Nada feito!!!

O Mestre de Sesimbra é para além de um escritor, uma pessoa sábia e de convicções fortes. A terra onde naufragou está triste, deprimida e sem sentido. Um bom mestre indica o caminho, coloca as mãos no ombro dos seus homens e acima de tudo certifica-se que chega a bom porto com peixe.

Esta é somente uma luta de um homem do mar, a quem tudo foi retirado de forma bruta, sem justificação e que se não fosse os seus dois filhos estarem na Câmara, ia tudo com o "ca****o".

Até breve!!!